29 junho 2014

Os Andes como pano de fundo

Apesar do frio temos tido sorte com o tempo. Nada de chuva o que é excelente para explorar a cidade. Decidimos continuar a descoberta com uma visita à casa de Pablo Neruda. Baptizada como o nome de "La Chascona", palavra de origem Quechua que significa "despenteada", a casa deve o seu nome a Matilde Urrutia, amante secreta do escritor chileno. Neruda manteve uma ligação amorosa com a ruiva Matilde durante vários anos, sendo ainda casado com a sua segunda mulher, facto que à época poucos tinham conhecimento. E foi precisamente nesta casa, aos pés do Cerro de San Cristóbal e que o poeta começou a construir em 1953, que Neruda deu largas à imaginação e à sua imensa paixão pelo mar e pelas viagens. A casa que nos dias de hoje é mantida pela Fundação Pablo Neruda, está repleta de objectos coleccionados  ao longo de anos de viagens e tem uma verdadeira atmosfera surreal difícil de descrever. É daqueles locais com algum magnetismo que nos levam a dizer: vão lá! Vejam com os próprios olhos. Para nos que partilhamos o gosto pela descoberta que só as viagens nos podem trazer foi um local que nos emocionou.
Vários anos mais tarde, Matilde viria a tornar-se a terceira esposa de Neruda e foi ela a responsável, após a morte do poeta em 1973, pela reconstrução de "La Chascona" danificada no golpe militar que haveria de levar Augusto Pinochet a poder.

La Chascona


Vista exterior


No interior da casa de Pablo Neruda


Pablo e Matilde


Da casa de Neruda decidimos rumar ao Cerro de San Cristóbal. Este "monte" que se localiza na cidade de Santiago oferece as mais magnificas vistas sobre a cidade e especialmente sobre a cidade e especialmente sobre a imponente cordilheira dos Andes. A forma mais fácil de subir ao Cerro é através do funicular. Depois de vencer uma pequena fila de espera, a viagem compensa. E muito!! A vista, como nos haviam recomendado é soberba e para além de uma visão 360' graus sobre a cidade, avistamos a imensidão daquele que é apenas um pedaço da maior cordilheira da América do Sul. Damos conta também do smog a que esta cidade localizada num imenso vale está sujeita em dias sem vento. O cume do Cerro de San Cristóbal é dominado pela enorme estátua de Nossa Senhora e tem igualmente uma pequena capela.

Llama


Vista sobre Santiago do Cerro de San Cristóbal


A cidade de Santiago

Santiago aos pés dos Andes

Estátua de N. Senhora


Depois desta subida rumámos ao Museu da Memória e dos Direitos Humanos. Objectivo: aprender mais sobre a história recente do Chile e dos anos negros da ditadura militar responsável por tantas atrocidades e crimes contra a Humanidade. Nota-se bem que esta questão ainda maca os chilenos e que ainda existem feridas por sarar. Mas para nós que éramos crianças de tenra idade à altura dos factos, este museu extremamente bem documentado com artefactos e multimédia, permitiu-nos realmente saber um poucos mais sobre os anos que se seguiram à queda de Allende e a ascensão ao poder de Pinochet. Uma experiência para estômagos fortes em alguns aspectos mas sem dúvida recomendada.

Museu da Memória e dos Direitos Humanos


A visita é demorada e os dias de Inverno curtos. Restou-nos tempo para ir espreitar o bairro Quinta Normal que deve o seu nome a um excelente parque urbano. Totalmente inesperado neste inicio gelado de noite foi um concerto gratuito de uma Dixie Band composta por jovens músicos e um espectáculo de luz e água que descobrimos no interior do parque.

Quinta Normal


Para terminar a noite demos um pulo ao Pátio Bellavista, um local moderno que dispõe de vários restaurantes e uma atmosfera muito cosmopolita. Amanhã será o dia de deixar Santiago. Ficamos com a sensação que apenas "esgravatámos" a superfície de uma cidade e de um país que tem muito para oferecer e acima de tudo para descobrir. 

Havemos de voltar. Certamente! 

28 junho 2014

Santiago do Chile

É tão estranho estarmos em Junho e e estar um frio de rachar! Para quem vem do hemisfério norte é realmente difícil de assimilar nas primeiras horas. Parece que o cérebro nos diz: espera, há aqui qualquer coisa que não bate certo :)

A capital deste longo país com mais de 17 de milhões de habitantes, situa-se num vale aos pés da cordilheira dos Andes. De qualquer lugar com vista desafogada podemos ver as grandes montanhas e os seus picos com neve.

Como primeira paragem na descoberta da cidade seleccionamos o Palácio de La Moneda, palco de acontecimentos marcantes na década de 70, altura do golpe de estado que marcou a transição de Salvador Allende para o ditador Augusto Pinochet. Allende, que anos antes formou o primeiro governo eleito democraticamente na América do Sul de ideologia Marxista (a via Chilena para o socialismo) em plena guerra fria, teve de enfrentar os sucessivos bloqueios norte-americanos e manobras da CIA. Desde a sua tomada de posse efectuaram esforços para lançar a economia chilena em depressão. O culminar desse curto período no poder surgiu a 11 de Setembro de 1973, durante o golpe militar liderado pelo general Pinochet, no decorrer do qual tanques do exercito e aviões da força aérea chilena bombardearam o Palácio de La Moneda causando danos severos no edifício onde se encontrava o ainda presidente Salvador Allende.
Após o famoso discurso emotivo na rádio Magallanes em que se dirigiu ao povo chileno reiterando o seu compromisso com o país e recusando renunciar ao cargo, o presidente Allende cometeu suicídio. Este facto, embora seja a versão oficial dos acontecimentos, permaneceu sempre envolto em controvérsia entre se o suicídio realmente aconteceu ou se por outro lado o então presidente foi assassinado pela junta militar. O que é certo é que se seguiram anos de terror durante o regime totalitário encabeçado por Augusto Pinochet. Apesar de danificado, o ditador deu ordens para a reconstrução do palácio que foi reinaugurado em Março de 1981.

Palácio de La Moneda


Estátua de Salvador Allende


Sendo ainda hoje um palácio em funcionamento, não podemos visitar mais que um pátio interior. Seja como for, não deixa de ser emocionante estar presente num local de relevo que marcou a história recente. Depois de visitar na praça da Constituição a estátua de Salvador Allende, seguimos o ruído que há muito se fazia ouvir nas ruas. Muitas bandeiras do Chile e muitos chilenos equipados apressavam-se para chegar ao centro. A razão para tudo isto? Era dia do jogo Chile-Brasil para os oitavos de final do campeonato do mundo. Como é natural as ruas e cafés estavam cheios de fervorosos adeptos chilenos que aqui e ali entoavam o característico grito de guerra: Chi-Chi-Chi-le-le-le viva-Chile!

Jogo Chile-Brasil


Equipados a rigor e a rigor e com bandeiras, muitas bandeiras, preparavam-se para ver o jogo. Juntámo-nos a eles e fomos até um café ver a partida. Ensaio o meu melhor Portunhol e peço (ou tento pedir) uma cerveja nacional. Venho a descobrir mais tarde que, não só me deram uma cerveja Argentina, como era caríssima! Para a próxima peço tudo em inglês :)
Depois há um golo e descobrimos que a TV do café tem um atraso considerável. Já se gritava contra o golo do David Luiz para o Brasil e ainda nós não tínhamos visto nada. Ao intervalo decidimos mudar de sítio. Vou a correr levantar pesos chilenos ao multibanco mais próximo para pagar a conta e mudar para a TV que mostrava primeiro os golos. Venho a descobrir dias mais tarde que esta parvoíce iria custar caro. Trouxe o dinheiro mas ficou lá na caixa multibanco o cartão! Enfim, nada que não se viesse a remediar, mas em viagem, tão longe de casa não dá jeito nenhum!
Lição: nem em todos os países o cartão sai primeiro e só depois o dinheiro como acontece em Portugal ...

Jogo de nervos, Alexis Sanchez empata para o Chile. No café onde viemos parar está um tipo doido que grita, dá pontapés nas coisas e atira-se para o chão. Começamos a temer pela nossa integridade física e resolvemos ir ver o prolongamento para outro lado. Finalmente, algum sossego para ver as grandes penalidades no meio de muitos chilenos esperançados. Mas a sorte caiu para o lado dos brasileiros e o sonho do Chile caiu por terra.

Após as emoções fortes do futebol, de volta ao turismo e à Plaza de Armas alma e coração da capital chilena. Actualmente, está a ser alvo de obras de melhoramentos, o que rouba algum do seu esplendor. De destacar nesta praça a Catedral de Santiago que é quase tão antiga como a fundação da cidade pelo conquistador Pedro Valdivia no século XVI.

Plaza de Armas


Precisamente para saber mais sobre a história pré e pós Europeia do Chile, a próxima paragem foi o Museu Nacional. Bastante detalhado notámos falto de pormenores sobre os tempos da ditadura e da história mais recente do Chile. Terminámos o dia com uma visita à estação de Mapocho, hoje em dia desactivada e convertida em centro cultural e ao mercado central que tal como hoje é moda em Lisboa tem também restaurante e tasquinhas. Para ir jantar usámos o excelente metropolitano da cidade e fomos até uma das sugestões do Trip Advisor: Del Cociñero. Não sendo demasiado caro, começamos a descobrir que no Chile se como muito bem (havia ceviche!) e os vinhos são bastante bons, ou não seja o Chile um grande exportador mundial.

Estação de Mapocho


Mercado Central de Santiago


Amanhã há muito mais para explorar nesta cidade aos pés dos Andes!

27 junho 2014

Rumo ao Chile

Para a manhã deste último dia em Brasília traçámos um objectivo: conhecer o Palácio do Planalto, sede do poder executivo da República Federativa do Brasil. Tal como muitos outros edifícios da capital, este palácio foi igualmente projectado por Oscar Niemeyer tendo sido inaugurado em 1960. Foi um dos primeiros edifícios da capital a serem concluídos a tempo da inauguração da cidade. No decorrer da visita guiada, uma curiosidade contada pela guia de serviço: o espelho de água que hoje vemos em frente à fachada do palácio foi adicionado durante a presidência de José Sarney, após um condutor de autocarro desempregado tentar invadir o palácio embatendo com o veículo, o que alguns danos significativos no edifício.
Este espaço de trabalho do presidente do Brasil dispõe de um vasto acervo de obras de arte de autores nacionais e estrangeiros e, naturalmente, salas de reuniões e gabinetes de trabalho. No piso térreo podemos igualmente ver uma galeria de fotos com todos os presidentes do Brasil e o Rolls-Royce presidencial, que actualmente ostenta a placa de matrícula com a indicação "Presidenta da República" :-)

 Fachada palácio do planalto


Interior do palalácio


Rolls-Royce presidencial


Lago Paranoá visto do ar

Depois de conhecer um pouco mais de Brasília e da despedida de Portugal do Campeonato do Mundo, eis que chegou a altura de deixar o Brasil e partir à descoberta de um novo país. O destino há muito que estava na lista e é desta que vamos conhecer o Chile!

Para uma primeira abordagem vamos conhecer a capital, a cidade de Santiago do Chile. Para lá chegar e já que não há voos directos de Brasília para Santiago (pelo menos nas datas que procurámos), fizemos escala no Rio de Janeiro. Claro que havia um plano secreto de nas 4 horas de escala dar um salto até à zona sul e beber uma água de coco ou uma caipirinha em Copacabana ou no Leblon. Mas estamos em plena Copa e ao tentar apanhar um táxi e explicar ao que íamos, fomos logo avisados que ir para a zona sul não seria um problema, mas voltar ao aeroporto, boa sorte com isso :)

Foi com pena que apenas ficámos a conhecer os melhoramentos do Galeão e ficou desde já combinado que numa próxima oportunidade havemos de rever a cidade maravilhosa.

Galeão

Mas este longo dia só acabaria na capital do Chile. Este "comprido" país, se olharmos para o mapa da América do Sul, é um imenso país costeiro encravado entre a Cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico. O voo nocturno da LAN Chile do Rio de Janeiro para Santiago decorreu sem problemas e apesar de não se ver grande coisa na aproximação pelas janelas do avião, deu para perceber (pelos ouvidos!) que após passarmos a cordilheira, mergulhámos literalmente para o aeroporto de Santiago.

Voo a bordo da LAN Chile

À chegada e a contrastar com o calor de Brasília, tínhamos à nossa espera o Inverno do hemisfério sul. Amanhã é dia de explorar a capital chilena após este dia bem longo! 

26 junho 2014

De calculadora na mão

Como referido anteriormente, um dos pretextos para mais esta visita ao Brasil, foi o de assistir ao jogo Portugal - Gana. Nunca tínhamos assistido in loco a um jogo de um campeonato do mundo e depois do playoff contra a Suécia, em que o Cristiano Ronaldo fez duas exibições memoráveis, pareceu boa ideia comprar bilhetes para um dos jogos de Portugal. Quem já foi a um Mundial, pelo menos recentemente, sabe que não é fácil obter um bilhete legitimo e a preços "razoáveis". Dado que a procura é superior à oferta a FIFA recorre a um sistema de pré-selecção dos jogos e posterior sorteio. Caso um ou mais bilhetes sejam atribuídos após o sorteio, o comprador é notificado e claro é cobrado o valor do bilhete.

De facto, há uns meses atrás a ideia pareceu boa. Agora, após os dois primeiros jogos a ideia parece menos boa :)

Portugal entrou no mundial a perder 4-0 com a Alemanha e comprometeu seriamente as coisas ao empatar 2-2 com os EUA no segundo jogo. Para o terceiro jogo da fase de grupos segue-se o Gana. Durante a semana a imprensa detalhou todos os cenários e só uma goleada Portuguesa em conjunto com um resultado que não o empate entre Alemanha e EUA poderiam levar Portugal aos oitavos de final.

Fomos cedo para o estádio para sentir todo o ambiente em redor de um jogo da Copa. Ao contrário do que se foi dizendo e escrevendo nos meses que antecederam o campeonato do mundo, a organização pareceu impecável. Ruas em redor do estádio cortadas, muita polícia, boa sinalização e tudo bem organizado no acesso ao interior do Estádio Nacional. Apenas dois aspectos menos positivos a apontar: o preço da comida e das bebidas e a má sinalização na bancada. Curioso que até à bancada estava tudo impecável, mas na bancada era muito difícil perceber onde cada pessoa se devia sentar.

No exterior do estádio Mané Garrincha

Antes do jogo

Portugal vs Gana

Quanto ao jogo, infelizmente mesmo atacando bastante e o facto da Alemanha até ajudar ao vencer os EUA, a vitória por 2-1 não foi suficiente. Ao menos o Cristiano Ronaldo lá marcou um golo e Portugal lá ganhou um jogo.

E nós vimos, pelo menos uma vez na vida, um jogo de um Campeonato do Mundo!



25 junho 2014

A cidade de Niemeyer

A ideia de centralizar a capital desse grande país que é o Brasil surge ainda no século XVIII, em tempos coloniais e continuou a ser pensada após a independência. Mas apenas com a eleição de Juscelino Kubitschek em 1956 é que o Brasil iniciou a construção da cidade de Brasília localizada no centro geográfico do país. O urbanista Lúcio Costa e o famoso arquitecto Oscar Niemeyer foram os principais responsáveis pelo projecto. A inauguração da cidade veio a acontecer em 1960 e a maioria dos serviços do estado foram transferidos do Rio de Janeiro para a nova capital federal.

É impossível não ficar fascinado com a arquitectura desta cidade. Decidimos começar a visita pelo edifício do congresso. O Brasil é uma república federativa de estados e o poder legislativo está dividido em duas câmaras: a câmara dos deputados e o senado. Niemeyer projectou um edifício em onde ambas as câmaras coexistissem e incluiu duas imponentes salas que por fora do edifício são facilmente identificáveis. A câmara dos deputados tem a forma de "prato invertido" ou seja, a cobertura da sala é rectilínea. Já a sala do senado tem a cobertura curva. Ao centro, os dois principais anexos de apoio aos dois órgãos legislativos e que são as duas torres de quase 30 andares. Estes são os edifícios mais altos de Brasília e pela lei actual assim perdurarão para o futuro como os edifícios mais altos da capital. Para visitar o interior do congresso nacional é necessário marcar a visita. Por falha da nossa parte desconhecíamos este facto (está tudo na net!!) e à chegada fomos informados que só poderíamos visitar o salão verde e o salão negro. Estes espaços que receberam o nome em função da cor do pavimento, funcionam como antecâmara do senado e da câmara dos deputados. Conformados, visitámos o espaço tirámos umas fotografias e bebemos um café, oferecido pelo congresso na cafetaria. Ao visitar o salão negro um guia dirigiu-se a nós e perguntou se éramos os Portugueses da visita das 11:00. Dissemos que não tínhamos marcação, ao que ao bom jeito Brasileiro o guia respondeu: "Sem problema! Podem ir do mesmo jeito.". E assim, com muita sorte (!) integrámos um grupo de visita ao coração do poder legislativo brasileiro. E realmente podemos dizer que vale a pena. Ambas as câmaras são imponentes. A dos deputados toda a decorada em verde tem espaço para mais de 500 deputados estaduais. A do senado toda em azul, tem um impressionante tecto composto por 130.000 placas de alumínio. Esta câmara com assento para todos os senadores tem a particularidade de hoje em dia ter desenhado na alcatifa com um aspirador (!) a bandeira do Brasil ao centro, a catedral e o congresso à esquerda e à direita respectivamente. Estes desenhos são feitos/retocados por um funcionário da limpeza do congresso nacional que, há uns anos atrás desenhou pela primeira vez a bandeira nacional à revelia do senado. Os senadores gostaram e virou tradição :)

Congresso Nacional

Câmara dos Deputados

 Senado

Desenhos feitos com aspirador(!) na alcatifa do Senado

Após a visita, tempo para conhecer a praça dos três poderes. Esta ampla praça com o chão em calçada portuguesa, tem esta designação pelo facto de albergar os três poderes de um estado de direito. O poder legislativo (congresso), o poder executivo (Palácio do Planalto) local de trabalho do presidente da república (hoje em dia presidenta Dilma como se diz por aqui) e o supremo tribunal de justiça. Nesta praça estão também o Museu da Cidade, um inusitado museu em forma de paralelepípedo, o Panteão Nacional, um gigantesco mastro com a bandeira nacional e a estátua dos Candangos, homenagem aos trabalhadores que vieram de todas as partes do Brasil para a construção da cidade.

Praça dos Três Poderes

De seguida o roteiro que traçamos incluía o Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente do Brasil. Para esta visita estudámos a lição. Só se pode visitar às 4as feiras e mediante uma das 300 senhas que são distribuídas 1 a 2 horas antes e por ordem de chegada. Mesmo com todo o planeamento, imprevistos acontecem. Chegámos ao palácio que fica longe do centro junto ao lago Paranoá e estava a decorrer uma manifestação, já em fim de protesto, de trabalhadores da função pública. Conclusão: um segurança disse-nos que devido à manifestação não iria haver visita!

Balde de água fria. Planeámos tudo menos isto! Decidimos esperar junto de meia-dúzia de pessoas que duas horas e meia antes já aguardavam as senhas. E como a sorte protege os audazes, as relações públicas do palácio decidiram que haveria visita e portanto a espera compensou! E mais uma vez valeu a pena. É difícil descrever com palavras a beleza dos traços arquitectónicos que Niemeyer destinou ao palácio presidencial. Na frente um lindíssimo espelho de água que ornamenta a espectacular fachada. O interior da casa com um imenso pé direito é muito amplo e funcional. No subsolo, a área logística e no piso térreo a parte social. Numa mezzanine que funciona como terceiro piso, estão as áreas privadas, quartos e gabinetes e que claro, não podemos visitar. Mesmo assim, a visita permite ver mais do que esperávamos. Ao lado esquerdo da casa, uma pequena capela, que não tem qualquer tipo de iluminação artificial, já que foi inteligentemente projectada para tirar partido da luz natural. Nas traseiras da casa, uma enorme piscina, campo de futebol , lindíssimos jardins e um pequeno lago onde se diz, Lula da Silva gostava de pescar.

Fachada do Palácio da Alvorada

Entrada do Palácio

Uma das salas do Palácio da Alvorada

Piscina e jardins do Palácio da Alvorada

Após esta "cusquice" presidencial seguimos para o Jaburu, residência do vice-presidente e que anteriormente não estava aberta para visitas. Bastante mais pequeno, não deixa no entanto de ser mais uma obra de arte. Igualmente, dispõe de uma pequena capela exterior e nas traseiras o melhor da casa - um enorme terraço com uma vista deslumbrante sobre um pequeno lago.

Jaburu

Terraço e piscina do Jaburu


Depois de mergulhar no universo que Oscar Niemeyer criou para Juscelino Kubitschek e seus sucessores, rumámos à torre de TV que se encontra no cimo do Eixo Monumental. Subindo ao observatório ou mesmo à mezzanine mais abaixo e sem fila de espera para subir, podemos ter uma das melhores vistas 360 graus da cidade. De lá podemos ter uma visão mais tridimensional da cidade e ver de frente o estádio nacional, do qual falaremos mais adiante.

Torre de TV de Brasília


Terminámos este dia em Brasília com um jantar num dos restaurante da Vila Planalto. Este bairro foi erguido pelos trabalhadores que vieram construir a cidade na década de 50 e que contrasta com o ordenamento das zonas mais nobres da cidade. Percebemos também porque nos haviam recomendado almoçar por lá. É mais seguro de dia e muitos (senão a maioria) dos restaurantes só abrem à hora de almoço. Mas come-se bem e em quantidade por lá :-)

24 junho 2014

A caminho de Brasília

E ao quinto dia desta volta ao mundo, chegou a hora de nos despedirmos do estado de São Paulo e rumarmos ao distrito federal. Antes de lá chegarmos, foi preciso enfrentar o trânsito infernal de São Paulo pela manhã. Esta mega-metrópole por vezes tem dezenas e dezenas de quilómetros de filas de trânsito. Por capricho aeronáutico, o voo para Brasília foi marcado a partir do aeroporto de Guarulhos que fica bem mais distante que o citadino Congonhas. Este "capricho" custou-nos mais tempo e dinheiro, mas foi por uma boa causa como veremos uns parágrafos mais adiante. Felizmente apanhámos um taxista conhecedor e que após alguns "truques ninja" nos colocou a tempo e horas em Guarulhos.

O objectivo foi experimentar o serviço da Azul, companhia aérea de baixo custo do mesmo proprietário da norte-americana JetBlue. Com aviões novos, que dispõem de TV satélite em directo em todos os assentos, o serviço para companhia low cost é muito acima da média. Voo tranquilo até ao distrito federal e chegada antes do horário.

Azul - TV Satélite em directo

Azul Embraer 195 em Brasília


O aeroporto de Brasília sofreu obras significativas para a Copa e está com um aspecto fantástico. Passámos pelo posto de recolha de bilhetes da FIFA e em 2-3 minutos levantámos os ingressos para o jogo Portugal-Gana que daqui a uns dias iremos ver no estádio nacional de Brasília.

A cidade inaugurada pelo presidente Juscelino Kubitschek em 1960, é desde essa altura a capital do Brasil e reúne todo o centro do poder no planalto central. O anoitecer no Brasil é normalmente sempre mais cedo do que em Portugal, em média por volta das seis da tarde, mas nesta altura do ano e quanto mais para sul estamos, os dias são pequenos. Este facto limita um pouco um pouco o que se pode visitar quando se chega por volta da hora de almoço. Assim optámos por rumar directamente à zona do Eixo Monumental onde Oscar Niemeyer projectou a catedral, a esplanada dos ministérios e, claro, o edifício do congresso nacional imponente ao centro. Passado algum tempo caiu a noite mas não sem antes visitarmos a catedral e fotografarmos os principais edifícios da capital. A catedral, inaugurada em 1970, é de facto uma obra impressionante projectada por Niemeyer. A entrada faz-se por uma passagem abaixo do solo, já que não tem qualquer porta ao nível da rua e os vitrais projectados por Marianne Peretti que cobrem toda a estrutura conferem uma beleza ímpar e inundam a catedral de abundante luz natural.

Catedral de Brasília

Interior da Catedral

Congresso Nacional

Perto do hotel fica o estádio Mané Garrincha onde a selecção Portuguesa deposita todas as esperanças de uma passagem aos oitavos de final do campeonato do mundo. Faltam dois dias para conhecermos o estádio por dentro e torcermos por mais um milagre!

Estádio Mané Garrinha - Brasília

23 junho 2014

Hoje joga o Brasil!


Pela primeira vez, após muitas visitas ao Brasil, vamos ver in loco, o ambiente que se vive durante uma copa do mundo. Diz quem sabe que desta vez está tudo muito morno, devido à forte contestação que rodeou a organização deste evento. Durante meses vimos na nossa televisão manifestações, confrontos com a polícia, violência, mas o que é certo, é que até agora tudo está calmo. Mesmo o que se diz em relação ao que não estaria pronto nos estádios não se nota de todo. Claro que, por exemplo em São Paulo, vimos um mono-carril que não está nem perto de estar pronto e em muitos outros locais acreditamos que o mesmo se passou. E o dinheiro que o governo federal gastou em obras faraónicas podia ser canalizado para outros fins num país tão assimétrico? Podia de facto. Claro que nem tudo é mau e algumas obras vão ficar ao serviço do povo brasileiro. Também vimos muitos estrangeiros que certamente vieram ajudar a economia com as suas divisas. Se o saldo é positivo, saberemos no futuro. Talvez não seja, mas quanto a nós fica para a história a passagem pelo Brasil na segunda ocasião que o país organiza este grande evento.

Apesar de parecer uma copa mais morna, comparando com o que se vive em Portugal, é muito mais quente. Nem no Euro 2004 com Scolari, que curiosamente em 2014 é o seleccionador do Brasil, se viu nada assim em Portugal! Dia de jogo do Brasil, o país quase que pára. Sendo que o jogo estava marcado para as 17h, muitas pessoas trabalharam até as 14h para ver o jogo. Claro que as que podem, porque os serviços essenciais continuam a funcionar em pleno. No nosso caso, fomos convidados (e muito bem recebidos) para um churrasco em que o prato principal era mesmo o jogo do Brasil contra os Camarões. Entre muitos chopps, fillet mignon e muita música, torcemos pelo Brasil que venceu a selecção africana por 3-1 e se qualificou para os oitavos de final como primeiro do grupo!


Será que este é o ano do Hexa, vinte anos depois do Tetra? Em breve saberemos. Até lá há mais Brasil para descobrir ...

22 junho 2014

Santos

Esta época do ano que por aqui chamam Inverno é ideal para visitar a maioria das regiões do Brasil. Não está muito calor, também não está muito frio, apesar do que dizem os brasileiros :) Especialmente chove pouco o que facilita os passeios. Nada como começar o segundo dia de visita a Santos pela praia! Apesar de já ter começado o Inverno, claro que é sempre dia de praia. a baía é ampla e tem poucas ondas. A temperatura da água pareceu melhor que o Algarve em Agosto mesmo assim. No horizonte a ilha Porchat de um lado e o Guarujá do outro. 


Praia de Santos

Depois de uns "sucos", já que era de manhã, hora de seguir para o morro Itararé ou Voturuá, mas que é mais conhecido como morro da asa delta, visto que dispõe de condições perfeitas para a prática de voo de asa delta e de parapente. Com 180 metros de altura, este morro tem uma vista privilegiada sobre a baixada santista. Realmente a não perder! Para além da vista é sempre possível observar os voos de parapente (inclusivamente voar para os mais destemidos) e relaxar num barzinho com uns petiscos e uma vista panorâmica sobre a cidade de Santos. Infelizmente, enquanto estavámos no bar assistimos à queda de um piloto de parapente numas árvores, mas felizmente sem consequências de maior.
Pode-se subir e descer de carro o de teleférico que parte da praia. No nosso caso subimos de carro e descemos de teleférico. A descida sobre as copas das árvores com o mar de pano de fundo é fantástica!


Vista do Morro da asa delta

Voo de parapente


Teleférico


Descida de teleférico

Como estamos em plena época de mundial de futebol, ou copa do mundo como se diz por aqui, seguiu-se o jogo Portugal - EUA. Um dos pretextos desta viagem foi também sentir de perto o clima da copa, com toda a excitação e também toda a contestação que se gerou no Brasil contra a organização deste evento. Mas sobre isso falaremos em detalhe mais adiante.
Portugal já se sabe começou a ganhar, mas permitiu dois golos aos EUA e nos últimos segundos Varela após cruzamento de Cristiano Ronaldo colocou Portugal mais uma vez de calculadora na mão. Agora há que anular uma desvantagem de 4 golos. Saberemos em breve se como se diz por aqui Deus é brasileiro e ajuda os portugueses :)

Para afogar as mágoas nada como ir fazer uma ceia centrada numa das instituições do Brasil: sair para comer uma pizza. Em nenhum país do mundo, nem mesmo em Itália, se atinge um nível tão elevado quando se fala de pizza. E se tiver catupiry então ... :)